O Cemitério Judeu de Faro é o ultimo vestígio da precença dos Judeus em Portugal.
Os Judeus fugiram de Portugal para escapar à inquisição no fim do século 15. O Marquês de Pombal convidou os seus descendentes, comerciantes e homens de negócios que residiam em Gibraltar e no Norte de Africa, de volta a Portugal para ajudar a reconstruir a economia após o devastador terramoto de 1755.
Estabeleceram-se em Faro e formando uma comunidade de 60 famílias localmente conhecida como ''A pequena Jerusalém''. Tinham duas sinagogas que hoje já não existem. A comunidade acabou por ''morrer'' devido à emigração dos mais novos para as cidades e os mais velhos que acabaram por falecer.
O terreno do cemitério foi comprado em 1851 por três lideres da comunidade, Joseph Sicsu, Moises Sequerra e Samuel Amram.
As paredes do cemitério foram construídas no ano 5638 (1887) do calendário judeu, data esta que estava gravada na porta de entrada do referido cemitério.
O primeiro enterro foi o do Rabbi Joseph Toledano em 1838 e o ultimo foi o de Abraham Ruah em 1932. José Ruah olhou pelo cemitério até à sua morte nos anos 40. Nos anos seguintes ficou completamente ao abandono, apesar dos esforços de um número considerável de pessoas. Uma delas foi o advogado Semtob Dreiblatt Sequerra que conseguiu um acordo de manutenção com a Câmara Municipal de Faro, e em troca doou o terreno a uma escola do município. A escola foi construída , mas a manutenção foi negligenciada e o cemitério ficou deteriorado. Sequerra ficou também responsável pela mobília da Sinagoga na Rua Castilho, para que esta não se perdesse a quando da queda desta propriedade nas mãos dos investidores, garantindo assim que esta esteja hoje no novo museu sinagoga Isaac Bitton localizado no cemitério 40 anos mais tarde. José e Lawrence Abecassis fizeram um inventário das sepulturas em 1980 e o falecido reverendo Abraham Assor, na altura lider da Comunidade Israelita de Lisboa, traduziu as inscrições de Hebreu para Português.
Em 1984, Isaac “Ike” Bitton (natural de Lisboa, a viver na altura nos Estados unidos, e que infelizmente faleceu a 14 de Julho de 2006), e o seu irmão Joseph foram a Faro para visitar o local do nascimento da sua mãe. Encontraram o cemitério completamente abandonado e em muito mau estado. Fizeram uma promessa de restaurá-lo exactamente como era antigamente, em memória de todos os defuntos da Comunidade Judeia de Faro.
No regresso aos Estados unidos, Bitton registou o Faro Cemetery Restoration Fund Inc. como uma Organização sem fins lucrativos. Ele angariou fundos que depois entregou à comunidade Judeia de Lisboa.
Em Dezembro de 1991, Judith Pinto celebrou Channukah no seu apartamento em Portimão, no Algarve, reacendendo assim a luz Judaica no Algarve e estabelecendo a comunidade Judaica que existe no presente. Em Junho de 1992, Ralph e Judy Pinto visitaram o cemitério, acompanhados de um pequeno grupo de amigos. Contactaram Ike Bitton e depois de terem submetido os planos e as projecções, Bitton pediu para serem libertados fundos para Ralph Pinto, que foi constituído Hon. Director de Operações. O trabalho foi completado e o cemitério foi aberto ao público e ao turismo.
O cemitério é inteiramente coberto de calçada à portuguesa e duas árvores grandes fornecem sombra e um ambiente sereno. Existe uma casa Tahara em que corpos foram lavados e se rezou. Esta tornou-se um museu.
A cerimónia de dedicação realizou-se a 16 de Maio de 1993, na presença do Dr. Mário Soares, Presidente de Portugal, juntamente com cerca de 400 dignitários e convidados.
Este evento histórico, incluindo uma descrição detalhada da história dos Judeus Portugueses desde o tempo dos Romanos pode ser vista no DVD “Without the Past” sw Isaac Bitton que ganhou um Tellyaward USA – pode encomendá-lo em todos os formatos, usando o contacto que está neste website.
O décimo aniversário foi celebrado em 2003 em frente ao cemitério, com a presença de cerca de 200 convidados. Foi dirigida pelo presidente da Câmara Municipal de Faro, pelo Director do Turismo, embaixador entre outros dignitários. Foi destapada a placa localizada na escola, mostrando a doação em 1965 desse terreno.
A 3 de Junho de 2007 abriu o novo museu sinagoga Isaac Bitton e foi-lhe dado o nome de The Faro Jewish Heritage Centre, mais adequado aos desenvolvimentos que este sofreu nos ultimos 15 anos, e foi incluído um monumento de Samuel Gacon; a réplica gravada em pedra encontrada em 1870 de Josef de Tomar (falecido em 1315) em Faro. Clique aqui para vêr o video.
Desde a sua restauração em 1992, o site tem sido melhorado pelo Museu Sinagoga, por outros monumentos (107 gravuras; Aristides de Sousa Mendes; entre outros) e desenvolvido em memória da rica contribuição dada a Portugal pelos Judeus, ao longo dos séculos - é por esta razão que o site será incluído no Ministério da Cultura no Roteiro Cultural de Portugal.
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